
Espiritualidade é um tema em alta. Neste ano de comemorações do centenário de Chico Xavier, não foram poucas as produções que abordaram a vida além dos planos materiais.
Escrito nas Estrelas, novela das seis da Globo, faz parte dessa bem-sucedida safra de histórias que se passam entre o céu e a terra.
Com uma trama leve, bons personagens e uma abordagem cuidadosa de ciência e religião, a novela de Elizabeth Jhin nesta sexta-feira (24das e vindas, ficaram na média dos 27 pontos.) sustentando bons índices de audiência, que, entre algumas iNúmeros nada excepcionais, mas que se destacam em meio aos índices cada vez mais baixos da dramaturgia da emissora.
O sucesso da novela, no entanto, não se deve apenas à carona na onda espiritualista. Entre bregas cenas de flashback de vidas passadas e alguns precários efeitos especiais, a produção acertou em cheio na história de amor envolvendo o trio de protagonistas, o médico Ricardo, a pobre Viviane e o falecido Daniel, personagens de Humberto Martins, Nathália Dill e Jayme Matarazzo.
Em um romance ingênuo e idealizado, a autora conseguiu despertar a empatia por todos os sofridos vértices do triângulo, com uma trama consistente e de forte apelo emocional. Mérito também dos atores, em especial da carismática Nathália Dill, que muitas vezes roubou a cena na pele da mocinha Viviane.
Outro destaque da novela foi o núcleo dos vilões. Com personagens bem construídos e tramas movimentadas, eles foram responsáveis por trazer ritmo e dar gás a uma história repleta de espíritos de luz e tipos bonzinhos. Caso do arrogante Gilmar, convincente interpretação de Alexandre Nero, e das atrapalhadas Sofia e Beatriz, vividas com sintonia por Zezé Polessa e Débora Falabella. Mesmo com as maldades cometidas, o toque de humor fez com que os vilões também protagonizassem alguns dos momentos mais divertidos da trama, roubando o lugar do apagado núcleo suburbano, que deveria ser o reduto cômico da história. Talvez a única exceção tenha sido a dissimulada Judith, de Carolina Kasting, que se manteve odiável do início ao fim e somente na reta final ganhou, merecidamente, mais espaço na trama.
Enquanto os núcleos principais da novela se sobressaíram, o mesmo não pode ser dito dos paralelos. Além da parte suburbana com pouca graça e sem carisma, outros personagens deixaram a desejar, como o médico Vicente, de Antônio Calloni, que foi pouco aproveitado, e a falecida Francisca, de Cássia Kiss, cujas aparições na trama eram tão breves quanto suas explicações sobre o plano espiritual. Isso sem contar as interpretações rasas de Carol Castro e Marcelo Faria, intérpretes da estudante Mariana e do médico Guilherme, o casal mais fraco da história.
Mas nada que tenha algum impacto significativo sobre a novela, que, com bons mocinhos, vilões fortes e o reforço da sempre instigante vida após a morte, chega ao fim com a missão cumprida.


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